
Urdan refletindo, meditando e assistindo um dos visuais mais incríveis do Rio de Janeiro, o pôr do Sol nas pedras do Arpoador!!
Passado alguns dias, “personagens” até então desconhecidos do grande público, tornaram-se principais “protagonistas” do país, assumindo assim, o papel de celebridades instantâneas…
Neste ponto não importa o tema, sendo negativo ou positivo, foram os nomes que mais apareceram na imprensa recentemente. Foi o caso do rapaz acusado e punido por um estupro que não foi estupro, sendo expulso do patético programa global, e a informação de um pai sobre a filha que estava no Canadá (mas já chegou ao Brasil e está colhendo financeiramente os frutos de sua aparição instantânea).
Com estas tolas notícias invadindo nossas moradias nos principais veículos de comunicação, e sem desejarmos que isso aconteça, acabamos por saber, afinal não tem como fugir, estes assuntos estão por todos os lados. Tamanha futilidade incentivou-me para voltar escrever em público após quase três meses sem publicações. Por enquanto, até que meu novo projeto fique pronto (até o final de fevereiro novo site com nova proposta), eu só tenho escrito na minha recente coluna no Likebodyboard, e na já conhecida, coluna do Urdan na revista Rideitbb.
Parado algum tempo por motivos pessoais e de saúde (tratamento dentário), estive bastante ocupado e admito: sem inspirações para escrever! Principalmente sobre o nosso esporte que insiste em continuar “amador”, pelo menos assim, os “chancelados” e questões sobre a união entre competidores profissionais brasileiros, me fazem acreditar… Lamentável, mas essa é a minha visão ao vivenciar determinados fatos ocorridos nestes três últimos meses, principalmente entre os bastidores das competições.
Não mudo minha opinião: O nosso esporte precisa de mudanças. Retirar as pessoas que estão no comando e há anos em círculos – estagnadas sem sucesso na mesmice -, e trocar por pessoas que queiram, e saibam realmente trabalhar profissionalmente para o crescimento do esporte, mas e aí, onde estão estes heróis?… É extremamente necessário evoluir para conseguirmos conquistar o grande sonho de algum dia, o bodyboard chegar a ser um esporte respeitado e conhecido na grande massa. Algo que se dependermos da atual confederação, e sua insistente e ultrapassada fórmula de realizar os seus eventos, nunca acontecerá.
“Impressiona-me a imensa carência de planejamento do circuito brasileiro”.
Voltando ao assunto “celebridades instantâneas”, a futilidade implantada pela mídia na grande massa, tornou-se tão presente que pessoas de várias ramificações da sociedade, ficam espantadas, ou pelo menos curiosas, ao assistirem, ouvirem, ou lerem determinadas matérias e programas. No mundo, principalmente no Brasil, somos bastante carentes de bons assuntos nos principais veículos da imprensa. Todos nós, mesmo não querendo, estamos rodeados com temas banais invadindo nossas casas sem pedir licença. Isso sim é um verdadeiro estupro!
Diante dos fatos do nosso cotidiano, às vezes me pego pensando se a ignorância seria mesmo uma dádiva. Cada vez mais me convenço que o ser humano ignorante, os irracionais, e as crianças, são pessoas mais felizes. Sinto desconforto ao ver pessoas fanáticas religiosamente desprezarem a ciência, e colocarem a culpa de seus problemas nas mãos de Deus. São pessoas contra a razão dos fatos, contra toda a ética e o bom censo. Deve ser muito bom e leve, viver sob a idéia de que as coisas não estão sobre nossas mãos: Se não conseguem aquele emprego dos sonhos, se não passam no vestibular, se não vencem aquela competição, ou se não conseguem comprar o carro… Estas pessoas nunca admitem que fracassaram, para elas é muito mais fácil e confortável, acreditar que não foi a vontade de Deus.
Invejo a irracionalidade dos bichos, não sabem quem são, e não precisam de mais nada se não sobreviver. Assim como admiro extremamente a ingenuidade e inocência das crianças. A pureza de seus olhares recorda-me quando também fui uma. Sinto saudades, a vida era tão mais simples… As crianças têm uma idéia fantástica sobre a vida que, infelizmente perdemos quando viramos adultos, elas conseguem ter uma melhor compreensão sobre as coisas.
Se não fosse tão prejudicial para os dias de hoje, eu realmente concordaria que a ignorância deveria ser cultivada ao máximo em nossas vidas. Acredito que o saber é muito complicado, dá um enorme trabalho. Saber faz enxergar a sociedade como realmente é… Com todos os seus defeitos e mazelas. A partir do momento em que a gente toma conhecimento de alguma coisa, é impossível permanecer no mesmo estado. Principalmente quando a gente sabe que podemos mudar para melhor, a ordem dos fatos, ou pelo menos tentar…
Saber força a gente tomar atitudes, se não vira omissão e, o bom senso grita que devemos modificar para melhorar a nossa realidade. Saber tira a gente da zona confortável que a ignorância oferece. Acredito que olhar de verdade para um problema e expor a sua idéia em público, é muito mais difícil do que realmente resolvê-los. Questionar e se angustiar com perguntas e respostas, ou a falta delas, faz parte dos cérebros que funcionam um pouco melhor, das pessoas insatisfeitas, dos desejosos pelo desconhecido… Mas será que vale a pena chegar lá? Eu penso que a busca em irmos além, faz com que sejamos pessoas melhores, porém eu penso que abençoados são os que podem apenas olhar e sorrir sem se perguntar.
Outra que era bem feliz era a Alice, lembram aquela do país das maravilhas? Pois é, esta mesmo… Eu duvido que a Alice, ou as crianças, bichos e ignorantes, se incomodariam caso – assim como eu -, também tivessem visto “AO VIVO” o quanto a Cbrasb se preocupa com a imagem e integridade do nosso esporte! Vide crop abaixo retirado da transmissão da primeira etapa do circuito brasileiro de bodyboard:
E não adianta argumentar com a frase: “foi um descuido”. Pela forma com que se intitulam tão bons, isso não deveria nunca acontecer, e esta não foi a primeira, nem a única vez – nem muito menos será a última – que somos obrigados a presenciar erros grotescos como estes vindos pelo grupo chancelado, muito pelo contrário. Sempre existe alguma coisa errada: seja em matérias, textos, sites, e eventos onde publicam e fazem suas realizações.
Não sei o que é pior, assistir a falta de profissionalismo em uma transmissão precária como esta, ou participar de uma etapa onde eu tinha que ler “IPANEMA SURFING” toda hora que olhava para o palanque! Humpf… Confederação brasileira de bodyboard? Esquece, nada muda…
Continuo pensando se a inocência das crianças, o irracional modo de vida dos animais, ou a ignorância, seriam mesmo uma dádiva?… Em certos casos eu tenho certeza que sim, pelo menos não seríamos obrigado ver, saber e viver certos momentos inoportunos em nossas vidas! Seria mais fácil, porém muito mais covarde fechar os olhos, ou fingir ignorância para certos fatos, eu não consigo!
Jeff Urdan – bodyboarder profissional e colunista da revista RideitBB e Likebodyboard
(Wai Ola Bodyboard shop / Dunes / Rideit / Prone mediah / likebodyboard)
















